quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
divertido
em breve fotos e vídeos dessa gravação.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Simbologia no longa de curtas
Bom, o primeiro deles, mostra um personagem masculino que não sabe lidar com a mulher, ele parece ser pouco ativo em sua vida social enquanto ela é bastante agitada e se expõe bastante... No segundo novamente o personagem masculino está fugindo de assumir responsabilidades enquanto a mulher é sobrecarregada a tomar decisões e manter a ordem... No terceiro, ela novamente se põe na posição ativa tentando desperta-lo enquanto ele quer se manter na inércia por provável rancor de sua situação física...
Dessa forma, os três curtas estão retratando um painel contemporâneo onde o Homem se põe numa situação cômoda sem se posicionar em relação ao mundo enquanto a Mulher busca tomar a frente das ações, tantas que seu fator emocional se mostra sempre frágil a ponto de estourar... Bem rudemente, seria um painel onde os homens são uns bananas e as mulheres um trem desgovernado...
Certo ou errado, acho que os filmes estão muito bem colocados porque não tomam frente nessa discussão, eles apenas retratam sem focar na guerra dos sexos, mas importando-se em discutir a relação humana independente dessas características, o caráter está ali, faz parte dos personagens mas a discussão se preocupa com a Ação deles em torno do que o mundo lhes impõe.
Em geral, a Fuga é um ingrediente muito presente nas relações atuais, porque não sabemos como consertar as coisas, provavelmente por uma fragilização emocional ampla diante das dificuldades de atenção ao outro e a si; os roteiros que estamos trabalhando colocam os personagens nesse limite possibilitando ou não a fuga e é essa situação crítica que cria empatia às histórias.
Gessé Malmann
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
post coletivo
Cleydson:
Acompanho o blog faz algum tempo, lendo as reflexões e conversando com a galera da equipe, assim, ao léo. Dentro da roda a discussão é quente. Até porque, pelo que acompanho aqui, como falar do relacionamento a dois sem estar na própria questão? Toda comunicação, é uma relação. Você e ela(ou ele), você e algo, você e seus próprios pensamentos... Dúvidas à parte, o prazer de dividir experiÊncias... Viva os relacionamentos!!!!
Débora:
Discussão quente aqui em casa!! Bruno apareceu de surpresa, e cleydson que já é de casa, foi convidado a participar da nossa conversa. Idéias de outros curtas foram o centro da nossa "reunião", rsrsrs. Eu tenho pensado muito no longa esses últimos tempos. Quase toda noite que deito na cama, PLIM! Uma luz aparece! rsrsrrs. Tive várias idéias enquanto tentava dormir. E como o Bruno disse, iremos usar nos próximos capítulos dessa novela!
Agora estamos aqui na sala falando sobre nossos relacionamentos...todas as nossas conversas sobre o longa acabam nessa mesma conversa: nossos relacionamentos. O pior é que eu sou a única mulher aqui! AAAAAAAHH!
Rosano:
então.. eu estava formatando o computador.. derepente o Bruno apareceu e começou uma reunião.. fiz umas fotos e vou voltar pra concluir minha formatação.rs
Bruno:
Sou o último a escrever... Saio dessa conversa bem animado, estávamos num momento meio "bad" dessa produção mas agora apareceram algumas luzes. Problemas "emocionais" e "financeiros" estavam nos assolando, para os financeiros que influenciam na realização do filme surgiram possíves soluções, e os problemas emocionais que não se resolveram acabam virando matéria-prima para nossas estórias. Decidios assumir que somos um filme INDEPENDENTE e vamos partir para um lance de estética mais crua em alguns episódios e também pegar mais pesado nas situações abordadas. Queremos meter o dedo nas feridas cada vez mais fundo, rasgar a pele, furar a carne, quebrar o osso até chegar na alma... dessas personagens e também na nossa.
Ps.: Gessé, sentimos sua falta...rs, manda o seu alô daí!!!
Bruno(diretor), Debora(atriz), Rosano(fotógrafo) e Cleydson(amigo)
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
O NOME DO LONGA!!!
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Tá quente!!!
Foi uma delícia. A gravação desse próximo curta já começou. E começou quente!!! Gravamos apenas o áudio..basicamente perguntas e respostas.
Pra mim é sempre um prazer dizer tudo que penso, que sinto, principalmente quando o assunto é relacionamento.
Desde a adolescência, o primeiro beijo, a primeira transa, sempre gostei de falar no assunto. O assunto “a dois”.
No início da gravação...um frio na barriga! Eu não sabia o que o Gessé iria me perguntar...mas quando veio a primeira pergunta, eu logo me soltei, já estava em casa!
As perguntas viam do Bruno e do Gessé. Estávamos só nós três e o Rogério, que fará o milagre de editar o áudio de 1h para 7 minutos.
Foi uma experiência divertida. Eu falando até o que não devia!!! E o Gessé meio cauteloso e tímido nas respostas, mas sempre falando a verdade (eu acho!)
A intimidade entre a gente aumentou, também pudera! cada pergunta cabeluda! srsrsr . Esse “jogo da verdade”, trouxe a oportunidade de entendermos um ao outro um pouco mais.
Nada como a verdade nua e crua!!! rsrsrsrsr
Débora Vecchi
sábado, 26 de setembro de 2009
REL.AÇÃO
Se tem uma coisa fundamental no trabalho do ator, entre tantas coisas, a Relação Humana é uma das mais recorrentes no estudo para o trabalho, e isso não é nem um tema específico ele simplesmente é inerente a função. Disso eu já percebi que jogar, combater, adaptar são ações muito correlatas ao desenvolvimento de uma relação, e o principal do tema é que relacionar-se com alguém, com tudo, com o meio, exige Ação, exige Esforço contínuo, porque a ligação entre as pessoas tende sempre ao Medo. Falhar com alguém dói. Ceder exige desprender-se de egoísmo e vaidade; então muitas vezes é preferível fugir do medo, da dor e manter o ego, porque isso é APARENTEMENTE mais fácil e seguro, mas o resultado é a manutenção de relacionamentos frágeis e rasos. Eu não deixo de ser tímido e medroso nas minhas relações, mas tenho melhorado bastante, principalmente depois de manter um relacionamento por longo tempo. É tem coisas que fazem parte do gene de cada um.
Investigar e mostrar doses homeopáticas de relacionamentos é o nosso objetivo com esse longa formado de curtas... Então nos interessa principalmente o momento presente, o jogo, o combate entre os personagens naquele momento. Não estamos contando uma História, estamos expondo Relações.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Stand by...
Sim; o longa de curtas continua em stand by, mas é por um bom motivo. Muito trabalho!!!
O segundo curta já está montado. Fiquei satisfeito, o tratamento de arte e fotografia ficou muito bom, seguindo a idéia de uma estética diferente para cada curta. Já na edição não mudamos muito de estilo do primeiro curta pra esse, culpa minha... A edição acabou seguindo a lógica do corte invisível, o Christopher até tentou montar de uma forma mais experimentosa, mas acabei optando por montar como estava na minha cabeça desde o set. A verdade é que filmo sabendo exatamente como vou montar (bom ou ruim? Não sei, é questão de estilo...), o fato é que se eu quiser fazer um filme mais experimental terei de filmá-lo para sê-lo.

Voltando ao assunto da nossa loooooonga pausa.
Pra variar estou envolvido em mais projetos do que tenho tempo de filmar, não estou reclamando, na verdade essa longa pausa, mesmo que meio obrigada, tem o seu lado bom. Esse “banho Maria” do longa de curtas tem servido para que eu reflita sobre vários aspectos da direção e do filme como um todo. Por exemplo, na questão da direção de atores. Eu, Gessé e Débora conversamos sobre o meu método (ou a falta dele), sobre o método deles, sobre o método Fátima Toledo e sobre a ausência de qualquer método. Essas conversas vão influenciar a nossa maneira de trabalhar daqui pra frente, acho que chegaremos a um método nosso, próprio para esse filme. Eles cedem um pouco, eu cedo um pouco e assim vamos caminhando.
Outra decisão importante que tomei é quanto ao conteúdo dos roteiros escolhidos. Eu estava optando por roteiros menos transgressores, evitando tabus e preferindo estórias que não contivessem cenas exageradas de sexo ou violência. Estava fazendo isso principalmente pensando na classificação indicativa do filme, mas cheguei à conclusão de que não posso me deixar influenciar por isso. “Estamos fazendo um longa metragem independente porra!” Não estamos fazendo um filme de “sessão da tarde”, estamos fazendo um filme que pretende retratar as relações humanas, em suas mais variadas formas, e para essa tarefa ser bem sucedida temos de mostrar os dois lados da moeda, ou como costumam dizer por aí: “botar o pau na mesa”.
Bruno de Oliveira (diretor)
sábado, 17 de janeiro de 2009
Ninguém falou que seria fácil...
a equipe...
Falando um pouco sobre o último curta filmado. Ontem assisti o material bruto do segundo curta junto com o Christopher, que será o editor desse segundo “episódio”. É a primeira vez que trabalho com o Christopher Faust; ele está acostumado a editar comédias, e tem um referencial cinematográfico bem eclético. O curta retrata uma situação tensa e extremamente dramática, acho interessante esse contraste de estilos das pessoas que compões uma equipe, acho que isso só tem a acrescentar ao filme.
As melhores idéias, reflexões e questionamentos só surgem através do diálogo entre as pessoas, tanto nas questões artísticas quanto nas mais técnicas, a comunicação dentro de uma equipe de filmagem é fundamental, e algo que deve ser exercitado sempre. Assistindo o material filmado foi surgindo a idéia de usar alguns trechos dos planos, “rabichos” de início e final, que numa montagem mais tradicional seriam descartados, vamos ver no que vai dar.
rodando...
O filme montado é para reproduzir o tempo real de uma conversa entre as duas personagens. Nesse sentido, era bem desafiador para os atores manterem a mesma intensidade ao longo do dia de filmagem; as interpretações estão bem coesas, acho que o Gessé e a Débora conseguiram manter essa intensidade, mérito 100% deles, admito. Durante a filmagem, por motivos pessoais, eu não estava muito à vontade e nem de bom humor, e acabei não desempenhando da melhor maneira o meu ofício de diretor. Mas agora as coisas estão se acertando, aos poucos vamos aprendendo a fazer cinema, acho que dias melhores virão.
Ninguém falou que seria fácil...
Bruno de Oliveira (diretor)
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
imperceptível e desconectado...
O grande desafio de uma boa maquiagem cinematográfica, é dela cumprir o seu propósito sem ser percebida. Quando o Bruno conversou comigo logo me alertou “Você vai ter trabalho.” Porque a personagem da Débora Vecchi chorava, e assim a maquiagem precisou ser retocada várias vezes. Mas o nosso objetivo era passar através da maquiagem, tudo o que a personagem estava vivendo naquele momento com a perda de seu pai: ela estava abatida, as olheiras mais realçadas, o rosto judiado pela dor da perda, os cabelos oleosos, ensebados, com aspecto sujo, para dar um ar desleixado, de quem não está preocupada com a aparência e talvez nem tivesse tomado banho nos últimos dias.
Andréa TristãoPara o personagem do ator Gessé Malmann, o Bruno me pediu para fazer um corte de cabelo mais moderno. Optei então, por um corte feito com navalha, bem desconectado.
Para realizar esse trabalho de cabelo e maquiagem é necessário tanto um estudo detalhado dos hábitos do personagem, quanto de sua classe social, seu estado emocional, iluminação, fotografia e o que o diretor pretende passar naquele momento para o telespectador.
Uma arte deliciosa quando vista na tela.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
É sempre difícil...
Dividi essas minhas questões com algumas pessoas, pensei sobre isso durante muito tempo tentando fazê-las ficarem dentro de mim de alguma forma. Assisti alguns filmes. Aos poucos fui entendendo. Algo sempre acontece dentro de mim que faz meu corpo entender, minha voz entender, e acontece, assim...intuitivamente, depois da crise é claro!!Se é bom ou ruim, certo ou errado? Hum...
Débora Vecchi
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Criando Problemas
fotos. Rosano Mauro jrO Bruno fica na janela fumando seu cigarrinho enquanto nós dois nos afundamos na coisa. Ele olha bem e torce pra gente se afogar, hehehe... Na verdade é um ambiente diferente, essa história de ensaiar as cenas pro filme, estamos nos adequando a postura dele, como ele não orienta muito sobre o que fazer, Débora e eu vamos lentamente deixando a preguiça de lado pra começar a ler, passar o texto e a cena, daí sim, Bruno já está aquecido de fumar e nos escutar e ele começa a opinar e, realmente, comentar algumas questões.
Débora já experimentou alguns modos de falar esse texto e encontrou uma dureza no personagem nos últimos dias que parece ter alavancado toda a carga da situação. Gosto do modo como ela cresce na cena e dá pra perceber a energia contida desde o início. Meu contato com o texto parece ter sido um pouco mais rápido na leitura e estou pesquisando posturas corporais e mais nuances na voz. A postura principalmente, está bem difícil, fico testando e as vezes me perco um pouco, mas com o treino, espero ficar melhor até o dia D.

Quanto aos problemas, bom... São esses detalhes saborosos de combinar e procurar nas leituras e nos ensaios, um modo de comportamento e raciocínio que os atores possam dominar e que o diretor possa conduzir na cena para a filmagem, de modo que possa fluir como unidade.
No mais, estou me sentindo bem a vontade em aturar o cigarrinho do Bruno na janela e colaborar com a Débora na contracena, e também menos tenso em interpretar um texto que eu mesmo escrevi, sempre achei bem esquisito isso.
domingo, 30 de novembro de 2008
Obstruções , luz e câmera.
O Bruno me apresentou o primeiro curta que seria algo simples, se é que existe algum filme simples de se fazer, e rodaríamos apenas em uma locação em que todas as cenas se passariam ali. Mais uma vez fomos pra mesa de bar fazer com que as idéias fluíssem. Conversamos sobre a fotografia que poderíamos criar, fizemos algumas anotações e rascunhos em guardanapos e decidimos que algo contrastado e um pouco sujo seria algo diferente para uma comédia romântica.
A câmera foi escolhida pela facilidade de acesso. Usamos uma Panasonic DVX100 com setagem para chegarmos ao limite do contraste que poderíamos e uma regulagem de branco sempre diferente da que a câmera estipulava, muitas vezes pendendo para o verde ou amarelo, além de algumas expremidas em algumas setagens para tentar alcançar um resultado um pouco mais plástico.
Antônio Jr.Assim, restava fazer uma lista de equipamentos para conseguirmos alcançar o que havíamos combinado. Em minha cabeça teríamos algumas luzes mais pontuais,uma ou outra mais para rechear a cena e outras cabeças pequenas para marcarmos bem certos detalhes. Porém o que conseguimos foram 4 set light (2 de 500w e 2 de 1000w) e um tripé 3 estágios, além de um carrinho de feira que foi utilizado como tripé, um lençol vermelho que foi utilizado como gelatina de efeito, uma luminária japonesa (100w) da Marisa(Dir. de Produção), uma luminária de mesa (15w azul) e um isopor sulfite (de tão fino). Logo de início os set light de 1000w foram abandonados, pois queimavam qualquer coisa que estava por perto(Desculpe-me, Débora pelas plantas queimadas), e era preciso a utilização de algumas gelatinas que também eram torradas na frente do set light, e também deixavam o ambiente completamente quente. Com isso, a cabeças de luz utilizadas no filme foram feita com 2 set light de 500w, um no tripé e outro no carrinho de feira e as duas luminárias, e deu no que deu. Se ficou bom não sei, pois ainda não tive tempo de rever o material em um monitor confiável, pois estávamos apenas com minha televisão como vídeo assist. Assim que ver as imagens e fazer alguma marcação de cor, retorno para lamentar ou comemorar o resultado final.
E vale lembrar que essa foi a primeira vez fiz um trabalho inteiramente com câmera na mão. Isso foi sensacional. Estava ansioso por esse dia!
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Primeiros cortes
Em relação ao material, muita opção pra montagem. A diretriz básica era tentar aproveitar ao máximo cada um dos planos, já que o roteiro é basicamente construído sobre os diálogos dos personagens. Ainda que em algumas cenas existisse apenas UMA opção de corte, acho que o filme ficou com um ritmo interessante. Neste exato momento faço uns testes no tratamento de cor, aplicando um bleach bypass pra criar uma textura contrastada, e brincando com a tonalidade de algumas cenas do apartamento.
Em breve mais notícias do cafofo da edição...
Daniel Duda (editor)
Quanto a linguagem...
Já havia comentado, em um post anterior, a respeito do trabalho com os atores (Gessé e Débora), nesse texto quero fazer algumas explanações quanto a linguagem do filme. Nossa proposta, e desafio, é fazer com que cada curta-metragem tenha um tratamento único dentro do filme. A idéia é trabalhar uma estética diferente em cada uma das estórias, de acordo com a especificidade de cada gênero abordado. Isso requer um trabalho, mais do que nunca, conjunto entre os departamentos que influem no visual do filme. Para cada curta se faz necessária uma pesquisa com base nas escolas cinematográficas, pesquisa essa de de estilos; de direção, fotografia, arte e montagem, e somando ainda a essa pesquisa os referenciais fílmicos contemporâneos de cada um. Também estenderemos a proposta para a parte sonora do filme, um “prato cheio” para o desenho de som e trilha sonora poderem explorar as milhares de possibilidades que a fase de finalização proporciona.
Tentaremos, na medida do possível, manter a mesma equipe por todo o filme. O intuito é, além de criar entrosamento, poder-mos avaliar a evolução de cada um dentro do processo. Ninguém está recebendo cachê, todos estão participando, imagino eu, porque gostaram da idéia. Acho que esse é o cachê da equipe, “a experiência”. Conviver com o mesmo grupo de pessoas por meses, filmar em vários lugares diferentes, com estórias diferentes e personagens diferentes, fazer parte dessa coisa meio república, cigana, esquizofrênica, que é uma equipe de filmagem independente.
A equipe...
Falando um pouco da minha escolha de direção do primeiro curta...
Nesse primeiro curta/episódio optei por filmar todos os planos com câmera na mão, não só porque gosto de câmera na mão, mas por um motivo especial. Cada escolha do diretor é dramática, em dois sentidos; dramática para ele, que é quem tem que escolher onde vai a câmera e se ela se movimentará, e com o se movimentará, e para o filme, já que toda escolha de direção influencia diretamente na dramaticidade da cena. Escolhi a câmera na mão pela mobilidade, e pela característica documental/jornalística, que anda meio desgastada pelo excesso de uso. Ensaiei bastante com Gessé e Débora já na locação onde filmaríamos, isso ajudou muito pois já ensaiamos além do texto, a marcação deles em cena. No dia de filmar eu, Gessé e Débora estávamos sincronizados como um relógio (rolex dos bão!), aí era a hora do meu brother Antônio Jr (Diretor de Fotografia) começar a trabalhar. Expliquei para ele que queria que a câmera se movesse como se estivesse perseguindo as personagens, a idéia era camuflar a previsibilidade da movimentação em cena, filmar como se não soubesse qual era o próximo passo do ator. Acho que fomos bem sucedidos nessa “improvisação ensaiada”. Esse primeiro curta segue uma linha de comédia romântica (mais ou menos...), nesse sentido ele foi decupado de forma a dar agilidade as cenas, planos curtos e enquadramentos fechados em maior quantidade do que o normal, lembrando um pouco a linguagem de tele-filmes. Para fugir do clichê de iluminação de comédias românticas, que é uma “luz lavada horrível”, optamos por uma fotografia mais escura e contrastada; mas isso quem pode comentar melhor é o Antônio...
Fui!!! Como diria o coelho da warner “Por hoje é só pessoal”.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Produção e etceteras
Eu sempre sou muito pressionada pelo Bruno. Se não é para eu ler o próximo roteiro do projeto é para eu escrever aqui. Já estou quase tomando a atitude drástica de atravessar a rua quando o ver para evitar aquelas perguntinhas “e aí, leu o roteiro?” ou “e aí, já escreveu o seu texto pro blog?”. Assumo aqui então que ainda não li o próximo roteiro que vamos gravar. Não tenho desculpas, são por volta de 6 páginas, não li porque não li (!) Então aproveito para assumir em público o compromisso de ler até o fim do dia!
Falando um pouco sobre a produção, esse foi o filme que proporcionalmente me fez tirar mais coisas da minha casa. Como a produção estava tranqüila (somente dois atores, muito bem preparados; três locações, no mesmo prédio; equipe ultra reduzida, que se bastava; todos da equipe tranqüilos e decididos), fiquei basicamente a disposição da arte e figurino. Caixas e malas de miudezas, roupas, sapatos que arrastei pro set. E falando em roupas, segundo o Bruno (eu realmente não fiz o cálculo) 80% do figurino usado no filme são roupas minhas. É bem estranho ver outra pessoa vestida dos pés a cabeça de Marisa, ainda mais se essa pessoa tem quase que o mesmo corte e cor de cabelo, altura, tom de pele. É mais estranho ainda ver que essa pessoa ficou mais bonita e gostosa que você dentro de suas próprias roupas (!).
Marisa Merlo
Saindo do setor da indumentária e entrando no gastronômico, as paradas para o lanche foram, como sempre, regadas ao bom e velho cachorro quente da receita da mãe da Natália e sucos exóticos (para não enjoar). Tem aquela história da água acabar no meio da noite e só ter água da torneira pro suco. A Ana apoiou na decisão de usar a água da torneira pelo bem de todos. Precisamos fazer as pessoas adquirir anticorpos, imunidades! Parece besta agora, mas quando formos gravar um longa em ritmo de longa, isso fará a diferença. Acreditem. E já que entrei nesse assunto, quero deixar público aqui o meu desapontamento com certa(s) pessoa(s) da equipe, que foram comer? Subway! Comemos e bebemos cachorro quente e sucos exóticos nos dois dias, não estava ruim e ninguém passou mal (!).
Eu achei que eu fosse dormir mais durante o filme porque não estou acostumada com madrugadas, mas percebi que comecei a desenvolver aquela tática de set de dormir acordada/estar acordada dormindo. O Bruno disse que não, mas tenho certeza que entre um cochilo e outro bastava uma chamada para eu acordar relativamente bem disposta para resolver os probleminhas. É importante salientar que esse foi o dia em que cheguei em casa mais cedo e acordada do ano inteiro!
domingo, 23 de novembro de 2008
Caminhar é difícil...
Mas, andar, o aparentemente simples e rotineiro movimento de percorrer o espaço é uma das coisas mais complicadas... Andar em cena! Putz! Desde o primeiro curta que fiz (Fardo), percebo como é estranho e ao mesmo tempo primário você ter consciência, noção mesmo de movimentar seu corpo e percorrer a cena com intenção. Um detalhe que fico atento nos ensaios e na hora de gravar, “ como é que eu vou andar até lá e fazer tal coisa?”... Engraçado pensar nesses pontos.
Eu tenho dois irmãos mais velhos... Mais velhos mesmo, não sei ao certo a diferença de idade mas chega a ser próximo de uma década, logo, uma distância grande.
Conviver não é lá a coisa mais agradável pra mim... Porra! Que foda agüentar as pessoas! Quando é da família então...
Ultimamente tenho escrito mentiras bem distantes da minha vida pessoal. Acho que quando a gente começa a escrever, sempre cai na confissão, na expressão de idéias relacionadas ao umbigo e estou satisfeito em ver que meus textos têm saído longe disso.
Estamos ensaiando um diálogo pra próxima gravação. Já começou a rolar um climão. Coisa tensa e tals... É um texto bem curto, até comentamos que parece haver mais tempo entre as falas. É um tipo de enfrentamento que eu nunca tive com meus irmãos! Acho até que gostaria de ter tido, algo assim, algo vivo. Algo que pudesse percorrer a distância de uma década entre nós. Só que caminhar e derrubar a distância, nem sempre é possível. Então, mesmo se habituando ao caminhar, mesmo acostumando o corpo com o “passo”; há certas coisas que não se alcançam, e há certas pessoas que não caminham... Acho que esse é um dos mots do próximo diálogo...
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Tudo começou porque ele viu e gostou de um ensaio fotográfico feito pelo fotógrafo Rosano Mauro Jr , La novia, e uma pequena aparição minha no longa Estômago. E aí ele já estava sentado no meu sofá, fumando um cigarro na minha janela, e trazendo cervejas pra dentro da minha geladeira!! Ele virou..o Nêgo, como costumo dizer por aí.

Tenho achado ótima essa convivência. O Bruno tem uma banda de rock é solteiro e gosta de beber, o Gessé tem uma filha, trabalha todos os dias e não bebe, pra não aumentar a barriguinha. Eu trabalho de vez em quando, namoro, tenho gatos e plantas, e gosto de cerveja preta e doce.
É...eu diria “Que bela combinação!”
Fazer cinema, um aprendizado a cada dia...

fotos. Rosano mauro jr
Fazer esse filme, ainda sem nome, vem sendo uma experiência imensamente interessante, especialmente para mim. São vários os motivos mas vou tentar resumir aqui. Primeiramente por trabalhar com diálogos, uma novidade para mim, como o Gessé disse no post anterior “Como é importante discutir e pensar os detalhes e intenções que recheiam um texto. Criar o que não está escrito é bem divertido”. Esse trabalho de esmiuçar um texto descobrindo aos poucos o que as palavras, ou o espaço entre elas, querem dizer, é muito instigante, ter o prazer de descobrir coisas que talvez nem o próprio roteirista ao escrever tenha se dado conta. Nos meus filmes anteriores as estórias eram contadas quase que totalmente através de imagens, com pouco ou nenhum diálogo, logo o processo de direção se tornava impositivo,a estética ditada as regras da narrativa, cada posição de câmera era sagrada. Nesse filme estou buscando roteiros construídos em cima dos diálogos e deixando o texto me levar, durante os ensaios cada cena vai conduzindo a direção naturalmente para um tipo de abordagem, a decupagem surge naturalmente, de forma fluída. Estou me sentindo mais a vontade com esse processo, é muito mais prazeroso do que se debruçar sobre uma mesa para decupar um roteiro sem vida.

Gessé Malmann
“Dar vida ao roteiro”, isso me leva ao segundo motivo pela satisfação em realizar esse trabalho, a direção de atores, outra área em que eu havia me aventurado pouco nos filmes anteriores. Nessa empreitada de fazer um Longa de episódios me propus o desafio de trabalhar roteiros que fossem essencialmente focados nos atores, o chamado “filme de ator” (não confundir com filme de autor que é um assunto que causa muita polêmica). E para uma primeira vez indo mais a fundo nesse processo estou bem satisfeito com o resultado, e devo isso e agradeço, a Gessé Malmann e Débora Vecchi, essa dupla de atores dedicada e corajosa que topou interpretar diversos personagens dentro de um mesmo filme, não é tarefa fácil.

ensaio...
Em nossas conversas aprendo não só sobre interpretação, mas também sobre a vida em vários aspectos, sob outros pontos de vista. Nós três somos bem diferentes uns dos outros, e isso acrescenta muito nas discussões sobre o perfil das personagens e as peculiaridades de cada estória. O tema geral do filme é “relacionamento” ,logo o próprio tema nos leva a visitar nosso passado, remexer nas feridas, e relembrar os conflitos por nós vividos, repensar os “porquês” e “como” as relações começam e acabam, e nesse processo acredito estarmos fazendo não só um filme, mas também uma viagem pelo auto-conhecimento e por um entendimento maior desse animal tão complexo que é o ser humano.
Bruno de Oliveira (Diretor)

