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É como se eu estivesse começando de novo.
Começo de novo. E vou começando sempre em busca de alguma coisa.
Com que eu me preocupo?
O que eu quero aqui?
Porque faço isso?
Porque eu tenho tantas perguntas que parecem não ter se quer um início de resposta?
A cada novo começo eu me proponho "ir".
Não sei de que maneira, nem pra onde, mas eu sei que quando eu for, quando eu estiver lá, algo terá se transformado dentro de mim.
Sei que transforma, não sei explicar..ainda não.
Hoje eu tive um sonho que mexeu comigo muito. Aquele tipo de sonho que a gente consegue ver os detalhes como na vida. E tudo nele era ruim e estranho. Em um determinado momento havia um buquê de flores vermelhas que passava na mão de todos. Eu queria muito pegá-lo, mas eu estava num canto chorando. E quando o buquê estava na mão do último, eu corri enlouquecida mente e consegui chegar a tempo de pegá-lo nas mãos. Hoje quando acordei, contando esse sonho, me disseram assim: "De um modo geral, sonhar com o que vc sonhou nunca é bom presságio... mas esse buquê de flores repassando entre pessoas, é muito, bom. E vc chorando querendo pegar e conseguindo é melhor ainda. teremos novidades boas brevemente."
O que isso significa? Acho que não significa.
Transforma. Eu ouvi isso e sorri. Como ontem quando eu caminhava. Eu olhei pra cima, e sorri. Um sorriso interno, quando vc sente que vive e que a vida vai te mudando em doses homeopáticas...cuidadosamente...te levando pra onde você deve ir.
Débora Vecchi


Eu sempre fui meio atrasado pra fazer as coisas, sempre demoro. Levei 20 anos pra dar um beijo em alguém, demorei pra me decidir sobre rumos, trabalhos, estudos... Sempre fui lento pra me estabelecer.
Eu sou sempre bastante quieto, quase mudo, isso é da minha natureza e me deixa bastante desconfortável em muitos momentos, eu sentia isso durante as filmagens anteriores, sabe essa coisa de “aquele cara não tem muito a ver com nada”, pois é, não que eu tenha começado a falar mais do que de costume e nem que toda equipe de trabalho deva ser unida e harmoniosa (vide seleções da Copa) mas me senti muito contente em realizar esse projeto e essa gravação especificamente me satisfez muito; a seqüência de cenas me ajudou na criação e a medida que fomos filmando fui melhorando e acho que pela primeira vez me senti aquecido em interpretar pra cinema. A segunda cena foi bastante longa e muito íntima para todos, pois passamos longo tempo num pequeno quarto.
Bruno e Débora trabalharam juntos numa produção com mais equipe e tals e eles têm mais facilidade de estarem em contato. Eu não moro em Curitiba, não ando pelos barzinhos, não mostro muito a cara, sou bicho do mato, e ainda me sinto estrangeiro na cidade grande sempre com muita gente ao redor.
Nos encontramos após a tediosa final da Copa 2010, preparamos um roteiro rápido onde a única coisa definida era que seria um casal rocker, tínhamos o figurino e saímos filmar.
Essa equipe que montamos junto com Eugenia e Rosano entrou num pequeno Fiesta e rodamos a cidade inteira e aos poucos fui finalmente entendendo o NOSSO TRABALHO e o que ele importa e significa pra mim; não está necessariamente na marca, na estética, na produção ou qualquer outro mecanismo externo, nosso filme tem Valor porque expõe a Vontade essencial de Realizar uma obra de arte, e a ação de cada pessoa dessa equipe está inteiramente disponível ao filme, nós estamos fazendo algo com aquela paixão de fazer algo próprio e principalmente prazeroso, onde a curtição de Fazer junto é o que conta. Isso combina com o lema Do It Yourself dos punks que brincamos de ser nessa gravação. Esse contato com a obra que você realiza é o canal mais interessante durante o processo de gravação e como nosso filme é feito em doses homeopáticas a cada novo encontro dá pra brincar de lembrar o que foi feito e agrupando a quantidade de energia que a gente já desprendeu pra Fazer, Fazer e Fazer da melhor maneira. Devo estar meio atrasado, mas acho que me sinto em casa agora, me sinto mais parte tanto desse time, quanto desse trabalho. Diversão, solução sim.


Enquanto aguardamos a pizza meia palmito e meia portuguesa passo a comentar brevemente um pouco o que foram as filmagens do curta do cadeirante.
Dizer que era uma equipe reduzida é pouco. Dava pra contar os integrantes (entre eles os atores) com os dedos da mão.
No primeiro dia o ponto de encontro foi a apartamento da Débora e Rosano. Eu particularmente não participei do encontro dentro do apartamento devido à presença de dois dos integrantes da família deles (dois “adoráveis” felinos), mas dava pra escutar tudo perfeitamente desde as escadas do prédio. Quase prontos para começar as filmagens fizemos uma parada no supermercado onde carregamos energias.
As filmagens na casa da tia do Bruno foram super tranqüilas. Os planos foram filmados quase que na ordem do roteiro e com um máximo de três takes por plano (exceção a regra: cena que a Mulher, Débora, sai da casa, em breve ou não tão breve compreenderam de que estou falando). Mesmo sem horários a cumprir conseguimos filmar tudo no prazo certo alem de ganhar, por parte da família de Bruno, um perfeito churrasco inesperado!
O segundo dia de filmagens foi bem rápido e simples. Locação: posto de gasolina. O único dispensado do dia foi o Gessé que não aparecia na cena, o resto da equipe estava ali. Tínhamos pra filmar uma única cena com aproximadamente uns três planos. Em menos de três horas conseguimos não só filmar tudo, mas até assistir o que tinha sido filmado nos dois dias.
Ótimas filmagens, ótimo resultado, o único que faltou... a pipoca!







Foi uma delícia. A gravação desse próximo curta já começou. E começou quente!!! Gravamos apenas o áudio..basicamente perguntas e respostas.
Pra mim é sempre um prazer dizer tudo que penso, que sinto, principalmente quando o assunto é relacionamento.
Desde a adolescência, o primeiro beijo, a primeira transa, sempre gostei de falar no assunto. O assunto “a dois”.
No início da gravação...um frio na barriga! Eu não sabia o que o Gessé iria me perguntar...mas quando veio a primeira pergunta, eu logo me soltei, já estava em casa!
As perguntas viam do Bruno e do Gessé. Estávamos só nós três e o Rogério, que fará o milagre de editar o áudio de 1h para 7 minutos.
Foi uma experiência divertida. Eu falando até o que não devia!!! E o Gessé meio cauteloso e tímido nas respostas, mas sempre falando a verdade (eu acho!)
A intimidade entre a gente aumentou, também pudera! cada pergunta cabeluda! srsrsr . Esse “jogo da verdade”, trouxe a oportunidade de entendermos um ao outro um pouco mais.
Nada como a verdade nua e crua!!! rsrsrsrsr
Débora Vecchi
